Análise e orientações
Nesta segunda-feira (19), organizações da sociedade civil fizeram um ato em frente à sede da Meta, no Itaim Bibi, em São Paulo, para denunciar suposta interferência da empresa nas eleições de 2026.
A pauta é política.
O problema por trás dela, porém, é o mesmo que tira o sono de quem vende imóvel pelo Instagram: perfil suspenso, post removido e alcance despencando sem explicação clara.
O que mudou e o impacto no mercado
O ato teve o lema “Meta, não se meta na nossa eleição” e aconteceu no prédio da Baleia (B32), na Avenida Brigadeiro Faria Lima.
A organização ficou a cargo de CTRL+Z, Código Não Binário, Artigo 19, Diracom, FNDC e Sleeping Giants Brasil.
Segundo as entidades, as semanas anteriores tiveram denúncias de suspensão de perfis, remoção de publicações, queda repentina de alcance e restrição de funcionalidades sem justificativa.
As organizações afirmam que os casos atingiram principalmente perfis ligados ao campo progressista e à candidatura de Lula.
Elas também apontam anúncios eleitorais irregulares pagos com recursos do exterior.
A plataforma De Olho na Meta compilou 430 notícias de mais de 200 veículos. Dessas, 97 apontam possíveis interferências eleitorais e 46 tratam de desinformação.
As entidades dizem ainda que a Meta não cumpre integralmente nenhum dos dez compromissos que assumiu perante o TSE.
O grupo entregou uma notificação extrajudicial com dez reivindicações a Conrado Leister, diretor-geral da Meta no Brasil.
Entre os pedidos estão um painel público de transparência, revisão humana de contas suspensas, fim do shadowban e auditoria independente dos algoritmos.
Dois números citados no ato merecem uma segunda leitura de todo dono de imobiliária.
Segundo as entidades, 70% dos brasileiros usam o Instagram como principal meio de informação e 91% usam o WhatsApp todos os dias.
Quem tem razão na disputa eleitoral não é assunto do corretor. A lição de negócio, essa sim, vale para qualquer lado.
Uma única empresa controla Instagram, Facebook, WhatsApp, Threads e Meta AI.
E as próprias entidades pedem revisão humana de contas porque, na avaliação delas, esse mecanismo não funciona como deveria.
“Se uma suspensão sem explicação faz barulho na Faria Lima com campanha presidencial, imagine o tamanho do seu suporte quando a conta bloqueada for a da sua imobiliária.”
Das 430 notícias compiladas sobre a Meta nas eleições, 97 apontam possível interferência
Levantamento da plataforma De Olho na Meta com notícias de mais de 200 veículos, segundo as entidades organizadoras do ato
A matemática do corretor
A conta a seguir é hipotética. Ela não vem da notícia.
Pense em uma imobiliária que recebe 200 leads por mês, todos vindos de anúncios no Instagram e caindo direto no WhatsApp do plantão.
Se a conta de anúncios ou o perfil principal fica fora do ar por 15 dias, metade do mês desaparece. São 100 leads que deixam de entrar.
Com uma conversão ilustrativa de 1% e ticket de R$ 500 mil, isso equivale a um imóvel a menos no mês.
Com comissão de 5%, são R$ 25 mil perdidos por uma decisão que você mal consegue contestar.
Existe ainda o prejuízo silencioso. A plataforma não avisa quando reduz seu alcance, e você só percebe quando o custo por lead sobe e o plantão fica parado.
==Quem tem CRM e base própria perde uma semana. Quem depende só do perfil perde o funil inteiro.
A diferença de risco aparece quando você compara os modelos:
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Dependência total: perfil, anúncios e contatos dos clientes ficam só dentro da Meta. Um bloqueio zera o fluxo de leads e apaga o histórico de conversa.
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Base própria: cada lead entra no CRM com telefone, e-mail e perfil de compra. Se a plataforma cair, você liga, manda e-mail e reativa a carteira.
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Canais diversificados: Google, portais, indicações e site próprio dividem o peso. Quando um canal cai, você ajusta a rota e segue vendendo.
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Ativo da empresa: o valor de mercado da sua imobiliária está na carteira de clientes. Número de seguidores não entra nessa conta.
“O seguidor pertence à plataforma. O lead registrado no CRM pertence à sua imobiliária.”
Plano de ação passo a passo
O período eleitoral deixa as plataformas tensas. O momento pede proteção da operação, e o perfil da imobiliária fica fora do debate político.
- Tire o lead da plataforma em até 24 horas: Todo contato que chega pelo Direct ou pelo WhatsApp precisa entrar no CRM no mesmo dia, com nome, telefone, e-mail e imóvel de interesse.
Se esse registro ainda é manual, entenda como organizar seu funil de vendas antes de investir mais um real em anúncio.
- Peça o e-mail na qualificação: No WhatsApp, faça uma pergunta simples logo no começo: “Me passa seu e-mail para eu enviar a tabela completa e a planta?”
Com isso, você ganha um segundo canal de contato que não depende de rede social.
- Separe opinião política de conta comercial: Perfil de imobiliária existe para vender imóvel. Em época de eleição, post político na conta da empresa atrai denúncia, briga nos comentários e risco de moderação.
Você pode ter opinião sem perder cliente de nenhum dos lados.
- Tenha administradores reserva: Cadastre pelo menos dois administradores no Gerenciador de Negócios, com verificação em duas etapas ativada.
Se um acesso cair, o outro mantém a operação rodando.
- Diversifique a entrada de leads: Mantenha pelo menos um canal fora da Meta gerando contato todo mês: Google, portal, site próprio ou programa de indicação.
Para o plantão dar conta do volume, a automação de atendimento no WhatsApp qualifica rápido e manda tudo para o CRM.
- Monitore o alcance toda semana: Anote alcance, custo por lead e número de conversas iniciadas. Queda brusca sem troca de criativo é sinal de alerta.
Quem mede percebe o problema em dias. Quem não mede só descobre no fechamento do mês.
Vai lucrar nesse cenário o corretor que usa Instagram e WhatsApp como porta de entrada e guarda a carteira de clientes em casa própria.
Vai quebrar a cara quem acordar com a conta suspensa e descobrir que não tem o telefone de nenhum cliente fora do aplicativo.





