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Notícia de MercadoGESTÃO & VGV⏱ 5 min de leitura

Split payment na reforma tributária: o imposto que vai sair do caixa da sua imobiliária antes da comissão

Natan Pimentel
Natan Pimentel
Diretor de Marketing
RESUMO EXECUTIVO & TESE

"Split payment da reforma tributária recolhe o imposto no ato do pagamento. Veja como isso aperta o caixa de imobiliárias e incorporadoras."

Hands gesturing during a real estate document review on a modern office desk with a calculator.
Foto: RDNE Stock project / Pexels

Análise e orientações

O split payment, mecanismo da reforma tributária que separa e recolhe o imposto automaticamente no ato do pagamento, virou munição de campanha eleitoral.

Quem vive de comissão, de aluguel administrado ou de fluxo de obra deveria prestar atenção agora, e não em 2028.

A tese é direta: o imposto vai sair do seu caixa antes de você encostar no dinheiro.

Para a imobiliária que opera no limite, isso muda o jogo.

O que mudou e por que virou briga política

Hoje existe um respiro entre a venda e o recolhimento do tributo. Segundo Fábio Pina, assessor econômico da FecomércioSP, esse intervalo fica entre 15 e 30 dias.

Halley Henares Neto, presidente da Associação Brasileira de Advocacia Tributária (Abat), fala em retenção de cerca de 40 a 45 dias.

Para ele, esse prazo é fundamental para a saúde financeira de pequenos e médios negócios.

Com o split payment, o respiro some. Pina chama a mudança de “mega problema”, porque ela gera pressão imediata no caixa e forte demanda por crédito bancário.

No palanque, o tema esquentou.

Daniella Marques, coordenadora econômica da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), declarou que uma eventual gestão do candidato encerraria a ferramenta por “asfixiar o capital de giro do pequeno”.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, rebateu: ser contra o split payment é “favorecer quem frauda”. Segundo ele, a tecnologia combate empresas noteiras e a sonegação.

“O empresário não precisa ter medo. Ele precisa entender que o split payment vai acabar com a sonegação.”

A frase é de Durigan. O ministro também afirmou que o governo está disposto a ouvir empresários, fazer ajustes no mecanismo e discutir prazos.

O calendário que você precisa anotar

  • Segundo semestre de 2027: início gradual nas relações entre empresas (B2B), conforme a previsão legal.

  • 2028: obrigatoriedade geral, adiada pela Receita Federal para dar tempo de adaptação a bancos e arranjos de pagamento.

  • ️ Eleição: o mecanismo pode ser mantido, ajustado ou atacado, dependendo de quem vencer.

O deputado Luiz Carlos Hauly (Podemos-PR), um dos articuladores da reforma, defende que o modelo é indispensável para viabilizar o crédito financeiro do novo IVA.

Ou seja, ninguém sério espera que ele simplesmente desapareça.

GESTÃO & VGV

Split payment zera o intervalo entre a venda e o recolhimento do imposto

Prazos atuais de retenção do tributo no caixa das empresas citados por especialistas, comparados ao recolhimento no ato da transação previsto no split payment

Retenção atual (Abat)
40 a 45 dias
Prazo atual (FecomércioSP)
15 a 30 dias
Split payment
Recolhimento no ato
FONTE: FECOMERCIOSP / ABAT

A matemática do corretor: onde o caixa aperta

Imobiliária trabalha com ciclo longo. Tem comissão que demora a cair, repasse de aluguel, parceria dividida entre corretores e fornecedor de obra pago a prazo.

Igor Barenboin, economista-chefe da Reach Capital, alerta que a medida “vai tirar dos empresários o capital de giro”.

Ele também prevê custo de financiamento maior para as empresas menores. É exatamente o perfil da imobiliária de bairro e da construtora de médio porte.

  • Exemplo hipotético (não é dado da notícia): Imagine uma imobiliária que recebe R$ 100 mil em comissões no mês. Suponha que uma fatia desse valor corresponda a tributo.

No modelo atual, essa fatia fica parada no caixa por algumas semanas até o recolhimento.

Na prática, ela ajuda a pagar folha, tráfego pago e o repasse para corretores parceiros.

No split payment, essa fatia nunca entra. Você passa a operar com o caixa líquido desde o primeiro minuto.

Quem usava o imposto como capital de giro informal vai precisar de crédito para tapar o buraco.

“Quem usa imposto como capital de giro está pegando um empréstimo silencioso do governo, e esse empréstimo tem data para acabar.”

Como o início é pelo B2B, incorporadoras e construtoras tendem a sentir primeiro, nas compras com fornecedores.

O corretor sente depois, quando a incorporadora apertar o prazo de pagamento de comissão para proteger o próprio caixa.

  • Quem lucra e quem quebra a cara: Ganha quem já opera com previsibilidade: comissão projetada, contrato com prazo claro e funil com data de fechamento.

Esse corretor negocia melhor porque sabe exatamente quanto entra e quando.

Perde quem vive de mês a mês, antecipa comissão e só descobre o rombo no fechamento.

Pagar imposto todo mundo já paga. A briga real é sobre quando o dinheiro sai.

Plano de ação: o que fazer antes de 2027

Você tem tempo, mas não tem desculpa. Comece pelo que está sob seu controle.

  • Separe receita bruta de receita líquida: pare de olhar o extrato como se todo valor recebido fosse seu. Monte o fluxo considerando o tributo como saída no mesmo dia.

  • Projete o ciclo da comissão no CRM: registre data prevista de proposta, assinatura, repasse e recebimento. Sem isso, você não sabe quanto capital de giro vai precisar.

  • WhatsApp & Cobrança: padronize mensagens de follow-up de comissão e de documentação com incorporadoras e proprietários. Cada dia a menos no prazo de recebimento compensa parte do fôlego que você vai perder.

  • Corte desperdício em mídia: dinheiro mal investido em anúncio vai doer mais quando o caixa estiver mais curto. Revise contratos e entenda como parar de queimar verba com agências.

  • Converse com contador e banco agora: pergunte como a sua operação será enquadrada e quais linhas de crédito existem. Negociar crédito com o caixa ainda saudável sai mais barato do que negociar no aperto.

O ponto central é previsibilidade.

Se você ainda não tem um pipeline com valores e datas, comece entendendo como organizar seu funil de vendas.

A eleição vai decidir o tom da discussão, mas não vai devolver o hábito de financiar a operação com dinheiro que nunca foi seu.

A imobiliária que se organizar agora atravessa 2028 vendendo. A que esperar vai descobrir o problema no extrato.


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